Festas de São João na Galiza

Por Andreia Leite a domingo, junho 24, 2012


Depois de um banho para lavar o sal de uma tarde de praia, eu, a Núria e a Lorena saímos de casa à pressa, como sempre atrasadas!

No ar sente-se o cheiro a queimado das lareiras, que tanto me lembra os invernos da infância passados no frio da aldeia dos meu avós.

Mas desta vez não são as lareiras que se acendem, mas sim as fogueiras! Um pouco por todo o lado, nos quintais das casas, as famílias reunem-se para celebrar a noite de São João.


Mas o nosso destino é a praia! Vamos passá-lo a Cangas, norte de Vigo, na costa da Galiza, onde mora a outra amiga da Núria, a Núria-in-wonderland, uma alcunha que lhe acenta bem!! :)
Viajamos pelo pôr-do sol.

00h00, chegámos! Trazemos na mala comida, bebidas e umas mantas para nos aquecermos!

A praia está surpreendentemente cheia de gente! A cada 4-5 metros há uma fogueira, algumas mais selvagens do que outras, e à sua volta circulam sombras dessas almas que alegremente se reunem no convívio de uma noite de verão!


Depois de atravessarmos metade da praia, encontrámos a fogueira do amigo da Núria-in-wonderland, e juntámo-nos ao grupo.

Está na hora de fazer a QUEIMADA! Elas trouxeram tudo o que era necessário e a Lorena começa a preparar a mistura no recipiente de barro:

Aguardente, 
Açucar a gosto,
Casca de limão e de laranja,
Passas de uva,
Maçã cortada aos pedaços pequenos,
Café em grão

Mexe-se bem a mistura e pega-se-lhe fogo, enquanto arde a Queimada, a Núria leu o conxuro - em galego lê-se assim:


Mouchos,coruxas,sapos e bruxas.
Demos, trasgos e diaños,
espiritos das nevoadas veigas.
Corvos, pintigas e meigas,
feitizos das menciñeiras.
Podres cañotas furadas,
fogar dos vermes e alimañas
lume das santas compañas.
Mal de ollo, negros meigallos,
cheiro dos mortos, tronos e raios.
Ouved do can, pregón da morte,
fuciño do sátiro e pe do coello.
Pecadora lingua de muller casada cun home vello.
Averno de Satán e Belcebú,
lume dos cadáveres ardentes,
corpos mutilados dos indecentes,
peidos dos infernales cus,
muxido da mar embravescida.
Barriga inútil da muller solteira,
falar dos gatos que andan á xaneira,
guedella porca da cabra mal parida.
Con este fol, levantarei as chamas deste lume
que asemella ó do inferno,
e fuxirán as meigas a cabalo das suas escobas,
índose bañar na praia das areas gordas,
Oíde! ¡Oíde! 
os ruxidos que dan as que non poden deixar de queimarse no augoardente, 
quedando así purificadas.
E cando este brebaxe baixe polas nosas gorxas,
quedaremos libres dos males da nosa alma e de todo embruxamento.
Forzas do Ar, Terra, Mar e Lume
A vos fago esta chamada!
Si é verdade que tedes máis poder que a humana xente,
eiquí e agora, facede que os espiritos dos amigos que estean fora:
Participen con nós desta Queimada!


E com isto se apaga o fogo, serve-se nos pequenos copos e brinda-se a este ritual que dizem afoguentar os males.

Eu já estou como os espanhóis: "No creo en brujas, pero que las hay, las hay!" (por Cervantes).


Hoje é uma noite de tradição, e como manda a tradição nesta noite queima-se nas fogueiras as coisas menos boas do ano, há quem queime os livros da escola! :)


Eu atiro à fogueira os papelinhos que escrevi em jeito de simbolismo.

Para finalizar, salta-se a fogueira na esperança de que o São João desvaneça as coisas menos boas da nossa vida, tal como a fogueira desfez estes papelinhos em "pó, cinza e nada".


E por aqui ficamos noite a dentro, embaladas pelo som das pequenas ondas, aquecidas pelo fogo, entretidas com a queimada, envolvidas numa noite de magia...

........................Biquinhos para quem é de biquinhos, 
Beijinhos para quem é de beijinhos Beijinhos............

1 Comentários:

Anónimo disse...

biquinhos andreia! ;D jajaja

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