Caminho de Laugavegur (Islândia) - 4º e último dia

Por Andreia Leite a quinta-feira, julho 18, 2013 2 Comentários

Bom dia!


Hora de tomar pequeno-almoço (yeah! -.-'): flocos de  aveia com água quente, mas desta vez os nossos amigos Russos têm canela para adicionar à mistura. Há que experimentar... Hmmm.... aaah é muito mais delicioso!!!
Se eu tivesse experimentado mais cedo o pequeno-almoço teria sido uma experiência muito mais agradável...

Enfim, hoje é o último dia de caminhada desta trilha... restam-nos apenas 15km até à última cabana de Thórsmork. 
Como até somos umas raparigas sortudas, um outro Guia Islandês oferece-se para levar os nossos sacos-cama e a tenda na carrinha, mas ele explicou que não vai ficar na mesma cabana que nós, mas sim noutra a 3km de distância. Então nós pensámos, o que são 3km depois de todos os kilómetros que já fizemos, certo? 

E ainda mais levezinhas, com menos comida, aqui vamos nós! 

50 minutos mais trade, chegamos a uma parte que é muito inclinada e temos que usar uma corda para descer... passamos uma ponte e começamos a subir. 



Outra hora passada, e estamos com fome! Decidimos parar no topo desta montanha. A vista é lindissima sobre um vale verde e glaciares no fundo. Ohh olha quem está ali!!! O Dmitri e o Parsha, os rapazes da Rússia! Eles tinham decidido ficar até mais tarde no acampamento, mas eles caminham muito mais depressa do que nós, então almoçamos juntos!

Depois desta agradável pausa, estamos de volta ao caminho... rapidamente os rapazes começam a distanciar-se, eles têm um passo mais rápido, e de novo estou sózinha com a Verena.

O tempo tem estado muito agradável hoje, e começa mesmo a aquecer!

Enquanto tiramos fotografias, um grupo de americanos começam a falar connosco, eles estão nesta viagem apra celebrar o aniversário de uma das raparigas, depois de uma partilha de experiências, tiramos uma fotografia de grupo! :)

De volta ao caminho, o sol está quente e cansamo-nos mais depressa. 1 hora mais tarde voltamos a fazer outra pausa. Algumas pessoas decidem mesmo fazer pausas de uma hora, no final não há pressa para chegar à cabana e temos que aproveitar mesmo! 

Ainda temos outro rio para atravessar, o último rio! Desta vez eu e a Verena atravessamos juntas... e descobrimos que é muito mais fácil e seguro fazer a travessia com outra pessoa para nos agarrarmos, especialmente se tivermos descalços. Devíamos ter feito isto desde o primeiro rio! Sempre a aprender! hehe 



Tinham-nos dito que perto do fim desta caminhada passaríamos por uma floresta... as árvores não são muito abundantes nesta área da Islândia. 

O que não nos disseram, era que "perto do fim" significa outra hora de caminho. E finalmente aquela sensação boa...a nossa cabana está à vista!! CONSEGUIMOS! :D 8 horas de caminho hoje, 55 km desde que partimos 4 dias atrás. 

E que cabana tão fofa! Em Þórsmörk (Thórsmörk) existem 3 cabanas, 2 a 3 km de distância
 umas das outras, nós ficámos na do meio, em Langidalur. Estamos tão cansadas e esfomeadas que só queremos comer e dormir, mas não temos os nossos sacos-cama connosco. Ainda temos que ir às cabanas de Básar, que ficam a 3km daqui, ou seja ainda temos que andar 6km antes de podermos ir dormir. Ok, se calhar não foi uma boa ideia.
Na sala está um grande grupo Belga a jantar, e quando nós sentámo-nos à mesa com o nosso jantar - massa e molho pesto, eles ofereceram-nos peixe! Delicioso! E ainda nos deram sobremesa: pêras de lata com molho de chocolate. Tão bom!

E com isto já são 22h45, temos que nos apressar para buscar os sacos-cama. 

Todo o caminho é feito em rochas, o que ainda cansa mais, sinto todos os músculos das minhas pernas! Aqui passa o rio Krossa, e em tempos de muita chuva e calor (fazendo os glaciares derreterem aumentando a corrente do rio), muitos veículos ficaram presos. Foi-nos dito para não atravessarmos o rio até encontrarmos uma ponte, e do outro lado está a cabana de Básar.



Foram 45 minutos a andar, e finalmente chegámos a tal cabana, encontrámos o guia Islandês e os nossos sacos-cama. 

Ele falou-nos desta área: o vulcão Eyjafjallajökull localiza-se apenas a 3 horas de caminhada subindo cerca de 1000 metros desde aqui. Este vulcão está coberto de gelo e teve a última erupção no inverno de  2010, causando o encerramento do espaço aéreo de algumas zonas da Europa devido à núvem de cinzas no ar. Ele disse que quem sobe ao vulcão sente mesmo o chão quente e em algumas zonas é impossível sentar no chão pois queima mesmo! Impressionante! 

Entretanto já passa da meia noite, despedimo-nos e voltamos ao caminho. 

E não há palavras para descrever as cores deste céu à uma da manhã... um azúl é espelhado no rio, iluminando o nosso caminho. Isto é o mais escuro que esta noite ficará. 

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Na manhã seguinte acordamos pouco depois das 10 horas e quase toda a gente já tinha partido. 


Nós temos que fazer tempo até às 16h, que é quando temos autocarro de volta para Reiquiavique. Fazemos as malas, caminhamos 3km até às cabanas de Husádalur, sentamo-nos no restaurante e almoçamos!

A viagem no autocarro começa com a travessia do rio Krossa! Eu fiquei impressionada como o rio pode ser tão fundo e ainda assim possível de atravessar. E pessoas aventuram-se a atravessá-lo de cavalo e tudo! Uaaau! 

Passado um tempo, o autocarro faz uma paragem rápida de 10 minutos nas cascatas de Seljalandsfoss,  mesmo lindas! E as pessoas podem mesmo ir por detrás das cascatas! 
3h30m depois, chegamos a Reiquiavique. Usamos as últimas energias para procurar o novo hostel, e depois de 1 hora debaixo do chuveiro caio num sono tão rapidamente como caiem as águas de uma cascata! 

Caminho de Laugavegur (Islândia) - 3º dia

Por Andreia Leite a terça-feira, julho 16, 2013 0 Comentários

Bom dia corpos viajantes!!!

Acordei de tão bom humor que até tentei comer flocos de aveia, mas desta vez misturados com chá de frutas... a verdade é está um pouco melhor do que misturado com apenas água, um pouquinho! hihihi

Hoje vamos caminhar 15km. Como sempre somos das últimas a sair da cabana tão quentinha e acolhedora. 


E finalmente começamos a nossa caminhada por entre montanhas verde flurescentes...
20 minutos mais tarde atravessamos o primeiro rio de hoje... não é tão fundo como o de ontem, mas é mais largo, e claro eu vou descalça: d-e-v-a-g-a-r-i-n-h-o pisando as pequenas d-o-l-o-r-o-s-a-s rochas.
De volta a terra firme, contínuamos a nossa caminhada até darmos a uma quinta com cavalos e umas cabanas de madeira. Este é um sitio alternativo para os grupos que fazem esta caminhada. Chegamos aqui mesmo a tempo de ver um grupo de pessoas a sair com os cavalos para uma corrida nas montanhas. 

O tempo muda rapidamente, e agora começa a chover, hora de vestir as calças à prova de água.
Atravessamos um pequeno rio com uma pequena ponte... outro rio maior com uma ponte bastante arcaica, segura com pedregulhos, e finalmente outro rio sem ponte! Este último é - de todos os rios que já atravessámos - o mais largo, mais fundo, mais forte e pelo que dizem o mais frio também! 

Aqui encontramo-nos com mais pessoas que fazem esta caminhada, observam-se uns as outros e tenta-se escolher o sitio mais seguro para fazer a travessia.

Aaahh meu querido leitor, o que se passou a seguir eu não estava nada à espera: estas pessoas começam a tirar as calças! É isso memo, com a mala às costs e em cuecas aventuram-se pelas águas geladas, e a água sobe mesmo ao nível das coxas! 

Depois de observarmos algumas travessias, é hora de nos aventurarmos também.... 
Os meus pés estão tão doloridos depois disto. Mas nós conseguimo: pernas geladas, mas cuecas secas! hahaha 

De volta ao caminho, agora temos um longo percurso numa paisagem cinzenta.... 
Encontramos uma rocha para almoçarmos, e uma chuva pesada chega para nos acompanhar....
2 horas caminhando debaixo da chuva pesada estão a testar os limites do meu casaco à prova de água. Tenho as mangas da camisola por baixo molhadas até aos cotovelos, dá para escorrer água mesmo. E os meus pés... ahh os meus pés também estão molhados! Ups! Está a ser impossivel manter as minhas mãos quentes e tento movê-las o máximo que posso. Estou desejosa para chegar à próxima cabana e vestir roupas quentes... só espero que a mala tenha mantido o seu interior seco! 

45 minutos mais tarde finalmente avistamos a cabana de Emstrur! Ahhhh está de volta aquela sensação tão boa de missão conseguida! 15 km hoje, 40 km em 3 dias! 
Esta noite não ficamos nas cabanas, vamos acampar! Mais uma vez, assinamos a lista de segurança, pagamos pelo campismo e recuperamos os nossos sacos-cama do Guia Turista Islandês, que nos dá umas dicas onde é o melhor sitio para acampar: "mais para baixo é mais calmo, acolhedor e tem o pequeno rio para lavarem os pratos e encherem as garrafas de água". 
Nós procuramos os 2 amigáveis rapazes da Rússia - Dmitri e Parsha - que conhecemos na primeira noite. Tinhamos combinado de acampar juntos - eles têm acampado todas as noites..., mas eles ainda não chegaram. E nós entretanto inicíamos a habilidade de montar a tenda.

Mais tarde, encontramos o Dmitri e o Parsha já a montarem a tenda junto às outras pessoas, mostramo-lhes o nosso spot e eles juntam-se a nós. E assim jantamos todos juntos!  :D



Depois de jantar e um agradável chá quentinho, vamos fazer uma caminhada até ao desfiladeiro.
As minhas botas estão molhadas, então eu uso um saco de plástico para isolar os meus pés e mantê-los secos e quentes. Parece ridiculo mas funciona perfeitamente e eu estou satisfeita com a minha improvisação! :D 
Caminhamos por uns 20 minutos e ali, depois de uma colina encontramos a vista que nos tira o fôlego: o desfiladeiro.... 





2 horas depois estamos de volta à nossa tenda (não tão quentinha quanto esperado)! 
É meia noite. E agora que me preparo para dormir, estou muito agradecida ao simpático Guia Turístico Islandês que me emprestou um colchão auto-insuflável... afinal eu não estava preparada para acampar na Islândia, e ele ao descobrir que eu não tinha um colchão disse: na Islândia nunca se dorme no chão sem um colchão, esta terra é gelada durante a noite", e é verdade! 

Com a cabeça escondida dentro do saco-cama, em poucos minutos retiro-me para a terra dos sonhos. 

ZZZzzzzz
 

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